terça-feira, 19 de setembro de 2017

Azeite só faz bem na salada?

Dá para usar o óleo de oliva em diversos pratos, mas nem todos preservam integralmente seus aclamados nutrientes 

 

azeite-usos-e-beneficios

A lista de benefícios proporcionados pelo azeite é extensa: vai do controle do colesterol ao combate de diabetes, problemas neurodegenerativos e câncer. Não à toa o óleo é figurinha certa na cozinha de muita gente, sendo recrutado principalmente na hora de temperar a salada.
 
Mas a leitora Vanusa Silva costuma utilizá-lo no almoço e no jantar, mesmo na ausência dos vegetais. Daí surgiu a dúvida: faz sentido investir nesse óleo sem ter alface, tomate e afins no prato?

Segundo a nutricionista Ceres Della Lucia, professora da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, a principal questão é não pesar a mão. “Recomenda-se 30 gramas ou duas colheres de sopa de azeite de oliva por dia”, diz. A melhor opção seria o extravirgem, cheio de antioxidantes – substâncias capazes de ajudar na prevenção de doenças.

Outro ponto importante envolve a temperatura. É que o azeite começa a perder parte dos aclamados antioxidantes ao ser exposto ao calor, principalmente quando passa a casa dos 160°C – como ocorre na fritura de um ovo. “Mas dá para utilizá-lo tranquilamente para substituir a manteiga e o óleo convencional em refogados e assados”, completa Ceres. Ou seja: não precisa pensar duas vezes antes de levá-lo ao fogo.
Fonte: Revista saúde

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Se o refrigerante ficasse mais caro, menos gente beberia

refrigerantePesquisa indica que o aumento no preço de refris influenciaria no seu consumo. Será que, em nome da saúde, o governo deveria cobrar impostos mais pesados?

 

 

Se o preço do refrigerante aumentasse, o brasileiro reduziria o seu consumo. O achado vem de uma pesquisa do Datafolha, a pedido da ONG ACT Promoção da Saúde, que foi divulgada na Folha de S.Paulo.

Alguns especialistas defendem o aumento nos impostos de refrigerantes e mesmo de alguns outros produtos industrializados como forma de incentivar a diminuição do consumo e, assim, combater as crescentes taxas de obesidade e diabetes, por exemplo. Um dos principais alvos do momento é o açúcar.

Questionados como reagiriam caso os impostos obrigassem essas bebidas a ficarem mais caras, 74% dos consumidores responderam que diminuiriam o consumo. Entre eles, 51% diminuiriam muito e 23% reduziriam um pouco a ingestão. Por outro lado, 15% não mudaria seus hábitos mesmo com a subida no preço e 3% tomariam mais refrigerante caso o preço aumentasse. Como assim?! Ora, os entrevistadores também não entenderam essa resposta.

Por fim, 8% dos consumidores disseram não comprar refrigerante e bebidas açucaradas artificialmente. Não que seja proibido engolir qualquer gota desses líquidos, mas realmente é melhor não tomá-los do que exagerar nos goles.

O Datafolha ouviu 2 070 pessoas acima de 16 anos, em 129 cidades. A pesquisa ajuda a colher dados para um debate sobre medidas no mercado para incentivar hábitos de consumo mais saudáveis.

Embalagens e publicidade

O governo debate atualmente novas regras que obrigariam fabricantes de alimentos com altas taxas de açúcar, sódio e calorias a estampar isso claramente nos rótulos. Sobre concordar ou não com advertências claras em embalagens para indicar a presença excessiva ou não dessas substâncias, 83% concordam totalmente, enquanto 9% discordam totalmente.

Outra pergunta da pesquisa envolve a publicidade infantil. “Você é a favor ou contra as propagandas de refrigerante, salgadinho, bebidas açucaradas e macarrão instantâneo dirigidas para crianças?”. 52% dos brasileiros são contra essas propagandas. Já 11% se dizem totalmente favoráveis.
Fonte: Revista saúde

 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

4 fatos que toda mulher deve saber sobre o exame de papanicolau

papanicolauEsse teste é cercado de desinformação, o que ajuda a aumentar a incidência e a mortalidade por câncer de colo de útero pelo Brasil.

 

Embora esteja disponível na rede pública, o exame de papanicolau é subutilizado no Brasil. Não à toa, nosso país sofre com muitos casos de câncer de colo de útero — e uma taxa preocupante de mortes, em especial nas regiões Norte e Nordeste.
 
Só em 2016, 16 340 mulheres foram diagnosticadas com essa doença (que poderia ser erradicada se controlássemos as infecções pelo vírus HPV), segundo dados do Instituto Nacional de Câncer. E pior: 44% delas só detectaram o problema quando ele atingiu um estágio avançadíssimo, que reduz drasticamente as chances de cura.

O fato é que ainda conhecemos pouco sobre o papanicolau. Até por isso, o Instituto Oncoguia organizou um evento para informar os próprios jornalistas sobre esse exame e o tumor de colo de útero em geral.

Durante o workshop, o ginecologista Julio Resende, coordenador do Programa de Rastreamento de Cânceres Ginecológicos do Hospital de Câncer de Barretos (SP), esclareceu alguns pontos-chave que geram bastante confusão sobre o papanicolau. Veja abaixo:

1) O papanicolau não é feito para detectar DSTs

Não pense que esse exame vai captar toda e qualquer doença sexualmente transmissível. Na verdade, ele sequer confirma a presença do vírus HPV. Em resumo, o teste rastreia a presença de lesões pré-cancerosas (que são provocadas pelo vírus em questão).

Claro que, durante a avaliação do ginecologista, a busca por DSTs em geral também deve ser contemplada. Só que os meios de fazer isso são outros. Recado final deste item: pergunte para o profissional se ele pretende realizar o papanicolau ou não.

2) O resultado demora alguns dias para sair

Muitas mulheres imaginam que esse exame consiste apenas em uma observação atenta do colo do útero. Não se engane: durante o procedimento, o expert coleta material com um equipamento e, na sequência, envia-o ao laboratório para uma análise mais complexa.

É importantíssimo cobrar os resultados para ver se está tudo em ordem — e não se satisfazer com uma avaliação puramente clínica se o objetivo é prevenir o câncer de colo de útero.

3) É um exame preventivo

Como já dissemos, a sacada do papanicolau é indicar lesões pré-cancerosas — ou seja, que vão originar um tumor se não forem removidas a tempo. Trata-se de uma estratégia diferente da mamografia, por exemplo, que detecta o câncer de mama em si.

Portanto, quando você se submete com regularidade ao papanicolau, o risco de desenvolver um tumor de colo de útero, mesmo que inicial, cai demais. Trocando em miúdos, não é um método para diagnosticar a doença, mas para impedir que ela apareça.

Aliás, se o resultado sugerir alguma anormalidade, você precisará realizar outros testes, como a colposcopia, para que os especialistas de fato saibam o que está acontecendo. Entendido?

4) Não precisa ser feito todo ano

As Diretrizes Brasileiras Para o Rastreamento do Câncer de Colo de Útero, do Ministério da Saúde, são claras. Segundo elas, as mulheres que já tiveram ou têm atividade sexual devem começar a fazer o papanicolau a partir dos 25 anos.

As duas primeiras avaliações precisam, sim, ser realizadas com um intervalo de um ano entre elas. Mas, se ambos os resultados vierem negativos (o que é bom), as próximas podem ser repetidas de três em três anos — sem prejuízos às mulheres, que fique claro.

É possível interromper essa estratégia de rastreamento aos 64 anos, desde que os últimos dois exames não tenham indicado sinais suspeitos. Agora, mulheres mais velhas que nunca realizaram o papanicolau se beneficiam ao recorrer a ele mesmo depois dessa faixa etária.
Fonte Revista saúde

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Lugol: o uso indiscriminado pode destruir a tireoide

Propagada na internet como um santo remédio, a solução à base de iodeto de potássio representa sérios riscos à saúde quando fora de contexto.

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Membros da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) estão preocupados com a ascensão do lugol nas redes sociais. Tanto que a entidade decidiu contra-atacar as postagens que afirmam que essa substância tem o poder prevenir e tratar câncer, fibrose cística e outras doenças. “Não há comprovação científica para tais benefícios”, alertou, por meio de um comunicado à imprensa, o endocrinologista José Augusto Sgarbi, presidente da Sbem.
 
 
Se faltam evidências para justificar o uso irrestrito, os malefícios estão mais do que comprovados. Veja: uma gota de lugol contém 6 miligramas de iodo, muito mais do que o necessário para um adulto saudável (de 0,1 a 0,25 miligrama). Acontece que a dose diária recomendada em certas páginas de internet varia entre seis e nove gotas. Aí, quem padece com a sobrecarga é a tireoide.

Em entrevista à SAÚDE, Sgarbi explicou o que tende a acontecer nesse cenário: “O excesso de iodo pode provocar a inflamação autoimune ou até uma ação tóxica que leva à destruição dessa glândula.” Não à toa, o quadro é associado a problemas como o hipo e o hipertireoidismo.
Aliás, é apenas quando a produção da tireoide dispara a ponto de colocar em risco a vida do paciente — condição chamada de crise tireotóxica — que os médicos prescrevem lugol. “Ele bloqueia rapidamente a captação de iodo e a liberação de hormônios tireoidianos, ao contrário dos medicamentos indicados em situações menos graves”, explica Sgarbi. Pelo mesmo motivo, a solução entra em cena quando se opta pela retirada cirúrgica da glândula.

O sal de cozinha e pescados em geral são as principais fontes de iodo presentes no cardápio dos brasileiros. A suplementação feita com complexos vitamínicos, é claro, ocorre de maneira individualizada — e só deve começar após o aval de um profissional.
Fonte Revista saúde

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Um hábito noturno aumentaria o risco de câncer de mama

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Exposição excessiva à luz artificial após o pôr do sol favorece o surgimento desse tipo de tumor em longo prazo, aponta estudo.

 

Você costuma deixar as luzes acesas durante a noite? Pois uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, indica que tal comportamento não aumenta só o valor da conta de energia. Depois de avaliarem quase 110 mil mulheres, os experts observaram que voluntárias de regiões com maior luminosidade noturna ou que trabalhavam como enfermeiras ao longo da madrugada eram 14% mais propensas ao câncer de mama em comparação às demais participantes.
 
 
Os dados foram coletados de 1989 a 2013. Fatores de risco relacionados ao câncer de mama foram incluídos no levantamento para descartar eventuais confusões nos resultados. Aliás, a associação entre luminosidade noturna e câncer de mama só existiu naquelas que eram ou já foram fumantes ou na turma que estava na pré-menopausa. Por quê? Não se sabe.
 
A principal hipótese para esse elo começa pelo fato de que a exposição crônica à luz artificial depois do entardecer bagunça nosso ciclo circadiano, o popular relógio biológico. Como consequência, alteraria o nível e o funcionamento de estrogênio e progesterona — os hormônios sexuais femininos. E sabe-se que essas substâncias, em excesso, estão ligadas a tumores femininos.

“Investigações mais aprofundadas são necessárias para que essa associação seja confirmada e, se for o caso, melhor compreendida”, comentou, em comunicado à imprensa, o oncologista Stephen Stefani, do Hospital do Câncer Mãe de Deus, no Rio Grande do Sul.
Vale destacar que as luzes artificiais não saem apenas de postes ou lâmpadas na sala. O seu celular é uma fonte e tanto de luminosidade — e pode, sim, destrambelhar o relógio biológico, principalmente se você recorre a ele na cama, quando deveria estar dormindo.
Fonte Revista saude

 

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Sal: vale a pena trocar o refinado pelo gourmet?

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Escolher este ingrediente nunca exigiu tanto tempo – tem versão de tudo quanto é cor e lugar. Entenda se esses chamarizes fazem diferença para a sua saúde.

 

Sal. Até pouco tempo, chegar nesse item da lista de compras causava alívio. Afinal, ao contrário de outros produtos, não havia muito o que pesquisar ou inspecionar nas gôndolas. Mas uma onda de sais coloridos vindos dos cantos mais exóticos do planeta, como montanhas do Himalaia, Chipre e Marrocos, deixou esse processo meio demorado. Além disso, despertou uma dúvida no consumidor: seriam esses temperos com apelo gourmet mais saudáveis?
Ao ler folhetos distribuídos em empórios ou fazer buscas pela internet, qualquer pessoa acharia que sim – e toparia pagar (muito) mais por eles. Mas as nutricionistas Eliana Giuntini e Kristy Soraia Coelho não engoliram de cara a história de que tais produtos exerceriam todos aqueles benefícios propagados.

Por isso, as profissionais do Centro de Pesquisa em Alimentos (o FoRC), vinculado à Universidade de São Paulo e à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), decidiram fazer uma revisão dos estudos que investigavam os efeitos positivos do sal rosa e companhia. Sabe o que encontraram? Nada.

Na verdade, a única coisa que elas acharam de válido foi um artigo que esmiuçou a composição desses alimentos. “De fato, eles têm mais minerais, porque não passam pelo refinamento”, revela Eliana. “Só que em hipótese alguma podem ser considerados fontes desses micronutrientes”, avisa a nutricionista.

É só olhar a tabela que colocamos mais abaixo. Dá para dizer que o sal rosa possui quatro vezes mais cálcio do que o refinado? Sim, claro. Mas, no fim das contas, os dois tipos oferecem poucas doses do mineral. Veja: 5 gramas do tempero gourmet concentram 8 miligramas de cálcio, sendo que a recomendação é consumir 1 000 miligramas do nutriente por dia. Ou seja, é um baita exagero dizer, por exemplo, que esses sais ajudariam na prevenção da osteoporose, como se ouve por aí.
 
Outro contrassenso detectado pelas pesquisadoras do FoRC é afirmar que os sais diferentosos concentrariam menos sódio e, consequentemente, dariam uma força no controle da pressão arterial. “Só que eles apresentam praticamente o mesmo teor do mineral que encontramos na versão refinada”, esclarece Kristy. Portanto, desse ponto de vista a troca também não compensaria.

A substituição total do sal de cozinha comum por um dos gourmets até poderia acarretar prejuízos. É que eles não recebem adição de iodo, como ocorre com o tipo refinado no Brasil desde 1953. Tanto que o tempero é nosso principal fornecedor do nutriente, primordial para garantir a produção de hormônios da tireoide. Com ele em falta, abre-se caminho para chateações como o bócio. “Não à toa, esse quadro é bastante prevalente na região do Himalaia”, destaca Eliana.

Nada disso significa que você deve jogar fora os sais gringos que já levou para casa ou se negar a prová-los. Se curtir o sabor e a crocância que eles dão ao prato, tranquilo. Só não faz sentido achar que esbanjam nutrientes e ajudam a economizar no sódio. “Tem que pensar nesses produtos dentro de um contexto gastronômico”, reforça Eliana. No quesito saúde, dá na mesma recorrer ao velho (e acessível) sal refinado.

Salgado na medida

Seja rosa, seja negro, seja o branco mesmo… o que não muda é a orientação da Organização Mundial da Saúde para consumirmos até 5 gramas diários de sal (ou 2,3 gramas de sódio). Um desafio e tanto, já que o ingrediente está naturalmente nos alimentos, é adicionado aos industrializados e realça o gosto da comida. No fim do dia, o brasileiro ingere cerca de 12 gramas do tempero.

“É altamente comprovado que o excesso de sódio está associado a uma maior dificuldade de controlar a pressão e até de desenvolver hipertensão”, diz o cardiologista Luiz Bortolotto, diretor da Unidade Clínica de Hipertensão do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo.
É verdade que surgiram estudos questionando essa má fama dirigida ao sódio. O cardiologista Marcus Bolívar Malachias, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), reconhece que há indivíduos mais resistentes ao seu poder de elevar a pressão.
“Não dá mesmo para dizer que ele fará mal a todo mundo. Mas o fato é que o exagero será nocivo para a maioria das pessoas”, afirma. “Sem contar que não conseguimos saber quem é sensível ou não”, emenda a nutricionista Marcia Gowdak, da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

Para completar, Malachias lembra que muitos desses trabalhos são com populações jovens, em que a prevalência de hipertensão é baixa. Quando a idade avança, porém… “Em gente com mais de 40 anos, a incidência da doença pode chegar a 35%. Acima dos 60 anos, esse número vai para 60 ou 70%”, estima o médico Maurilo Leite, chefe de nefrologia do Hospital Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro.

Liberar mais de 5 gramas de sal por dia poderia antecipar o quadro entre quem tem propensão. E o chabu tende a ocorrer na surdina. “Esse é o grande mistério da hipertensão: ela não dá sintomas”, relata Leite, que se descobriu hipertenso aos 30 e poucos anos e hoje controla a situação com a trinca remédios, exercícios e dieta com sódio na medida.
O preocupante é que não raro a hipertensão se manifesta já na forma de um infarto ou AVC. Leite ressalta ainda que, em nosso país, ela é a principal causa de doença renal crônica – quando os rins deixam de executar suas funções.

É claro que outras medidas se fazem cruciais para afastar a encrenca: tem que manter o peso adequado, sair do sofá e investir em uma dieta equilibrada como um todo. Caprichar em frutas, verduras e legumes, por exemplo, enche o corpo de potássio, um antagonista do sódio. “Mas não dá para ignorar a redução do sal”, frisa Marcia. A compra do ingrediente não precisa dar um nó na cabeça – nem acontecer todo mês.

Diferentes, mas nem tanto

Embora alguns sais tenham mais minerais, o teor não chega perto do que precisamos por dia. Com exceção do sódio*

Marinho

Cálcio: 6,5 mg
Potássio: 9 mg
Sódio: 1 925 mg
Zinco: 0,02 mg
Ferro: 0,14 mg
Magnésio: 12,45 mg

Rosa

Cálcio: 8 mg
Potássio: 14 mg
Sódio: 1 840 mg
Zinco: 0,02 mg
Ferro: 0,18 mg
Magnésio: 5,3 mg

Refinado

Cálcio: 2 mg
Potássio: 4,5 mg
Sódio: 2 000 mg
Zinco: 0,025 mg
Ferro: 0,05 mg
Magnésio: 0,07 mg

Meta diária

Cálcio: 1 000 mg
Potássio: 4 700 mg
Sódio: 2 000 mg
Zinco: 8 mg
Ferro: 8 mg
Magnésio: 310 mg
*Os valores se referem a 5 gramas de cada sal

Sal x sódio


Sódio é o principal mineral presente no sal. Por isso é preciso dosar o tempero muito bem. É recomendado consumir, no máximo, 5 gramas de sal por dia. Isso dá 2 mil miligramas de sódio.

Agora, se a tabela nutricional for baseada em uma porção, o teor de sódio diz respeito só a essa quantidade. Por ser conservante, o sódio está nos industrializados, como embutidos e congelados.
Fonte: Revista saúde

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Café na dose certa para preservar a sua saúde

“O café é a bebida que desliza para o estômago e põe tudo em movimento.” Quando registrou esta frase, o escritor francês Honoré de Balzac (1799-1850), um aficionado do líquido – há quem diga que entornava de 20 a 50 doses por dia -, certamente se referia ao poder energizante do fruto do cafeeiro. Afinal, com o auxílio dele o autor deu cabo de uma obra com mais de 10 mil páginas. O que Balzac não podia imaginar é quão feliz foi em deixar a frase assim, tão abrangente. Atualmente, a ciência já sabe que dar disposição é só uma das qualidades do café.
O curioso é que ele chegou a amargar uma posição de desprestígio, mesmo sendo amplamente degustado. “Isso porque algumas pessoas são mais sensíveis mesmo”, diz a nutricionista Ana Cristina Lazarotto, do Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba. Mas isso não faz dele um vilão. “Existe muito mito sobre seu consumo”, afirma o cardiologista Bruno Mioto, pesquisador do Instituto do Coração, o InCor, na capital paulista.
Segundo o médico, uma das explicações para esse bafafá todo tem a ver com o fato de que os primeiros estudos foram conduzidos com seu componente mais famoso, a cafeína – responsável pelo estado de excitação. “Só que os cientistas usavam altas doses e de uma só vez”, explica. Daí ocorriam batedeira no peito, aumento da pressão… “Mas a gente tem de lembrar que a bebida é tomada ao longo do dia e não é composta somente de cafeína”, tranquiliza.
De acordo com Silvia Oigman, neurocientista do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, no Rio de Janeiro, a cafeína representa de 1 a 2,2% do café. “Ele possui diversas outras substâncias, com destaque para os ácidos clorogênicos, que são antioxidantes“, informa. Nesse sentido, o conteúdo da xícara seria mais poderoso que o vinho tinto. Certamente não é desculpa para exagerar, como Balzac fazia. De três a cinco xícaras por dia compõem a quantidade ideal para degustar os benefícios que verá a seguir. Sinta-se à vontade para se servir antes de continuar a leitura.

Proteção contra doenças da pesada

Problemas do coração

Talvez essa seja a relação que mais colocava pulgas atrás da orelha, já que um dos impactos do abuso da cafeína é o disparo dos batimentos cardíacos. Mas veja bem: falamos do exagero. “Há estudos mostrando que o consumo diário e moderado protege contra infarto, AVC e insuficiência cardíaca“, conta Mioto. E, se você já ouviu que o grão tem substâncias que elevam o colesterol, saiba que é verdade, sim. “No entanto, os filtros retêm até 80% delas”, garante o cardiologista.
É do time do expresso? Sem neura. Embora seja mais concentrado, o volume ingerido tende a ser menor. Fora isso, Mioto conta que a discreta subida de colesterol inclui a versão HDL da molécula, considerada protetora. Para limpar de vez a barra do café, o médico avaliou o impacto do consumo entre pessoas com doença coronariana – ou seja, com entupimentos nas artérias do coração – e constatou que mesmo elas não precisam abandonar as xícaras. Recentemente, a nutricionista Andreia Miranda, da Universidade de São Paulo (USP), analisou 550 homens e mulheres e notou um risco cerca de 50% menor de ter pressão alta entre quem ingeria de uma a três doses por dia. “Tudo por causa dos seus antioxidantes”, relata.

Panes no cérebro

Aqui, quem brilha é a própria cafeína. “Ela bloqueia dois importantes receptores de adenosina no cérebro“, ensina o neurocientista Marcelo Cossenza, do Instituto D’Or e da Universidade Federal Fluminense. Complicou? Saiba que essa interrupção culmina em um efeito neuroprotetor.
Não à toa, pesquisas já ligam o café à prevenção de doenças como Alzheimer, Parkinson e por aí vai. O professor de farmacologia Rui Prediger, da Universidade Federal de Santa Catarina, observou em seu laboratório que a cafeína ajuda a evitar a morte de neurônios produtores de dopamina, neurotransmissor envolvido no controle de movimentos, no humor e na memória.
A perda dessas células, cabe lembrar, está na gênese do Parkinson, marcado por rigidez e tremores involuntários. As perspectivas também animam no âmbito do tratamento. Após dar cafeína a animais com a doença, Prediger notou que, embora ela não reverta os danos aos neurônios, pelo menos melhora a memória e o humor. “E isso favorece a qualidade de vida”, diz. Com base em outra linha de pesquisa, o expert conta que a cafeína amenizaria alguns sintomas do transtorno do déficit de atenção (TDAH). Resta comprovar tal ganho em estudos maiores.

Diabete tipo 2

Ao analisar mais de 120 mil pessoas, cientistas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, concluíram que quem ampliou um tiquinho o consumo de café – coisa de uma xícara – viu cair em 11% a probabilidade de encarar a condição.
Não é o primeiro trabalho a evidenciar tal conexão. Aliás, parece que o benefício vale até para quem curte a bebida sem cafeína. “Em estudos com ratos, os ácidos clorogênicos e os produtos de sua degradação durante a torra do café diminuem a concentração de glicose no sangue e levam a um aumento da sensibilidade à ação da insulina, respectivamente”, explica a nutricionista Mônica Pinto, da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
São mecanismos que impedem a circulação excessiva de açúcar no corpo – e a instalação do distúrbio. Para a médica Ana Carolina Nader, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia/Regional Rio de Janeiro, não é para ninguém passar a se entupir da bebida com o intuito de prevenir o diabete tipo 2. “O que sabemos hoje é que indivíduos com o hábito de tomar café têm menor risco de desenvolver a doença”, frisa. Quem já é diabético, por sua vez, não precisa aposentar a xícara. Só dispensar o açúcar.

Problemas no fígado

O elo entre o cafezinho e o bem-estar desse órgão está tão evidente que já há sugestão de consumo diante de certas situações. No último grande encontro internacional de hepatologia, ficou estabelecido que cerca de quatro xícaras diárias são vantajosas a quem possui gordura no fígado, a esteatose. Esse é um problema bem prevalente no Brasil, atingindo ao redor de 30% da população.
“Além de elevar o risco de diabete e doença cardiovascular, o quadro pode evoluir para uma cirrose ou um tumor”, explica o hepatologista Edison Parise, da Universidade Federal de São Paulo. O café ajudaria a barrar essa progressão.
“Mas ainda não sabemos em detalhes como ele atua aí”, avisa o hepatologista Marcio Dias, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Para pessoas com hepatite C, também já se sabe que goles do líquido negro têm impacto positivo.
“Em nossas pesquisas, quem tomava de quatro a seis xícaras apresentava uma lesão menor no fígado”, comenta Parise. Com isso, cai a possibilidade de a hepatite avançar para a temida cirrose – quando as lesões e cicatrizes no órgão abalam pra valer suas funções. “Mas lembre-se: café não é remédio”, salienta o médico.

Câncer

No ano passado, uma revisão de 105 estudos publicada na prestigiada revista científica Nature concluiu que o hábito de tomar café está ligado a uma menor probabilidade de um dia ter câncer de boca, faringe, fígado, cólon, próstata, endométrio e pele. A exceção ficou por conta do tumor de pulmão – a tendência, aí, foi de aumento de risco.
Mas esse dado é cientificamente difícil de engolir. “Muitos estudos não deduziram o perigo representado pelo cigarro“, examina Luis Felipe Ribeiro Pinto, pesquisador titular e chefe do Programa de Carcinogênese Molecular do Instituto Nacional do Câncer, o Inca.
Embora hoje seja menos comum, ainda tem gente que adora bebericar umas xícaras junto às tragadas. “O risco, portanto, vem do cigarro”, tranquiliza Pinto. Há pouco, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer fez um pente fino sobre o papel da bebida favorita do brasileiro na prevenção de tumores. “Nos trabalhos, houve clara redução de risco para o câncer de endométrio e fígado”, descreve o pesquisador do Inca. E não importa se ele é coado ou expresso. Até agora, os compostos antioxidantes lideram as apostas como grandes responsáveis pelo efeito anticâncer.

Mais disposição e qualidade de vida

Rendimento físico

Em sua experiência com portadores de doenças cardíacas, o médico Bruno Mioto percebeu que o café fazia esse pessoal render mais na esteira. Pesquisadores da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos, realizaram uma revisão de nove estudos e também viram que a ingestão de cafeína (por meio da bebida mesmo, não de cápsulas) melhorou em 24% o desempenho dos voluntários durante a corrida ou o ciclismo.
Não é mera coincidência. “A cafeína nos deixa mais alertas e reduz a percepção de cansaço durante o esforço”, explica a nutricionista Luciana Rossi, do Centro Universitário São Camilo, na capital paulista.
Para quem não é esportista, a especialista diz que uma dosagem bacana gira em torno de 2 miligramas de cafeína por quilo de peso corporal. Isso significa que uma pessoa de 50 a 65 quilos se daria bem com 100 a 150 miligramas da substância – o que alcançamos com uma xícara de café.
A nutricionista aconselha apreciar a bebida na hora anterior ao início do treino. Só lembre-se de que a cafeína fica perambulando pelo corpo durante umas cinco horas. Então, caso a sessão de ginástica aconteça à noite, quem é mais sensível à substância pode demorar mais a pegar no sono.

Expectativa de vida

Essa é para tranquilizar de vez os fãs do cafezinho: tomá-lo com moderação no dia a dia garantiria aniversários extras. A nutricionista Mônica Pinto se recorda de um estudo publicado no respeitado periódico The New England Journal of Medicine, que levou em conta a ingestão de café por mais de 400 mil americanos de 50 a 71 anos. “A conclusão é que o hábito de bebê-lo está inversamente relacionado à mortalidade total”, diz. Um benefício que se estendeu inclusive à versão sem cafeína.
Outra vez, ponto para os polifenóis, os antioxidantes do grão, que zelam pela integridade das nossas células. Em sua pesquisa na USP, a nutricionista Andreia Miranda identificou a bebida quentinha como a principal fonte dessas substâncias na dieta dos 550 voluntários. “De 70 a 80% dos polifenóis ingeridos vieram do café. É bastante coisa”, avalia. Se você aprecia esse tesouro da natureza, não tem por que parar de tomar. Na dose certa, ele joga no seu time – e dá goleada.

Coado, expresso ou instantâneo?

Existem várias maneiras de preparar a bebida. Mas esses são os três métodos mais comuns no Brasil. Veja abaixo suas características.

Coado

O café coado no pano tem gosto de infância – compreensível, pois essa forma de preparo faz parte de nossa cultura. O filtro de papel veio depois. Ambos são eficientes em reter duas substâncias que causam uma leve subida do colesterol. A química e analista sensorial Camila Arcanjo, do Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo, conta que o coador de pano tem poros mais abertos do que o de papel. “Por isso, em geral o tecido extrai um teor maior de compostos”, revela.
Claro que isso também depende de outros fatores, como grau de moagem do grão e tempo de exposição à água. Agora, quem for adepto do coador de pano deve lavá-lo sempre e deixar secar ao sol. “Se ficar úmido, pode ocorrer proliferação de fungos“, avisa Camila.
A versão filtrada é a mais popular no Brasil, sendo que o café puro é o campeão de consumo. Outra receita apreciada por aqui é o pingado.

Expresso

Antes restritas a restaurantes, as máquinas de expresso andam mais acessíveis e viraram desejo de consumo. Pudera: em 25 segundos o café está prontinho. Ainda que o tempo de contato do pó com a água seja menor em comparação ao filtrado, a pressão exercida pelo equipamento permite uma bela extração dos compostos do grão.
“Temos a impressão de que a bebida é mais forte porque está concentrada em uma xícara de 30 mililitros”, explica Camila. Ela relata que tudo no expresso vem em potência extra, incluindo sabor e aroma. Para saber se foi bem tirado, é só checar se há um creme no topo. Uma vez lá, indica-se misturá-lo à bebida para sentir todas as suas características.
Espera-se que até 2019 o consumo de cápsulas triplique.

Instantâneo

Sem dúvida, é a opção mais rápida de preparo, já que basta misturar os grãozinhos à agua quente. Mas há quem reclame do sabor, diferente em relação ao do coado e expresso.”O café solúvel reúne teores menores de trigonelina, um componente importante para o sabor e o aroma”, justifica Mônica Pinto, da Abic. Mas é questão de costume. Quem dá uma chance a ele depara com algumas vantagens.
A baixa umidade faz o produto ter vida longa, por exemplo. E como geralmente é feito com uma espécie de café chamada robusta, costuma ostentar mais cafeína e antioxidantes. “Se colocar leite, a mistura fica bem cremosa, porque não há água”, recomenda a especialista.
Café solúvel se destaca pela praticidade. Tanto é que está entre os 5 tipos preferidos pelos brasileiros.

Preparo perfeito

Alguns cuidados garantem todos os benefícios da bebida:
  • Um café recém-torrado tem mais sabor. Portanto, olho na data de validade!
  • Ler a embalagem também é bacana para saber o que esperar. Um café tradicional, daquele amargo, cai bem com leite, por exemplo. Se quiser algo mais suave, que não demande açúcar, vá de superior ou gourmet.
  • O café moído deve ir para um pote bem fechado e longe de umidade. Se quiser guardar na geladeira, só evite alterações de temperatura. Para isso, volte o pó ao refrigerador logo após o uso.
  • Utilize água mineral ou filtrada – sempre fresquinha.
  • A água deve ser apenas aquecida – a temperatura indicada é de 90 °C. Se ferver, significa que há perda de oxigênio. Daí o líquido se torna pesado e dificulta a extração dos compostos do café.
  • Vai usar a garrafa térmica? O correto é botar lá só a quantidade de caféque você pretende tomar na hora – ou, no máximo, até 30 minutos depois.
  • Nunca prepare ou guarde a bebida já adoçada.
O ideal é tomar puro. Se não conseguir, avalie prós e contras das opções abaixo:
  • Açúcar
    Há evidências de que ele reduza a biodisponibilidade dos polifenóis do cafédentro do corpo. O certo é que diabéticos devem evitá-lo. Duas colherinhas deixam o café com 50 calorias.
  • Adoçante
    Dá dulçor sem somar calorias. Mas a maioria dos produtos deixa um sabor residual. Ao que tudo indica, o tipo que influencia menos no gosto é a sucralose.
  • Mel
    Além de adoçar, ele conta com vitaminas, minerais e outras substâncias. Mas atenção: reúne só um pouco menos de calorias do que o açúcar. Não é opção para diabéticos.

O lado negro da xícara

Tem gente que não vê tantas maravilhas assim no café. É que o exagero ou a sensibilidade a seus ingredientes podem gerar alguns reveses
Gravidez
A cafeína interfere no aproveitamento de uma substância chamada adenosina, importante para a formação do feto. Daí o conselho de dar uma boa maneirada nessa fase. Se consumir, misture ao leite.
Gastrite
Tudo indica que a bebida não dá origem ao problema. “Mas a cafeína estimula a secreção gástrica, causando desconforto no estômago”, diz a nutricionista Ana Lazarotto. Nada de abusar, hein?!
Insônia
Há pessoas que não toleram tão bem a cafeína, o que atrapalha o sono. Mas não precisa excluir o café. Só ajustar dose e horário de consumo. Não passe de três xícaras e beba até às 17 horas.
Ansiedade
A bebida em si não causa o transtorno. Porém, a cafeína é capaz de, em pessoas propensas, despertar sintomas de ansiedade. “Aí é melhor restringir o consumo”, aconselha Marcelo Cossenza.
Arritmia
Embora se fale muito em palpitação, o médico Bruno Mioto conta que estudos já indicaram menos internação por arritmia entre fãs de café. “Mas isso é bem individual”, lembra. Se o peito dispara, melhor evitar.
Abstinência
Pode acontecer – e provocar dor de cabeça e mau humor. “O cérebro se adapta à ingestão regular”, relata Cossenza. Quando a cafeína entra no corpo, o cérebro sente a maior recompensa.

 Fonte: Revista saúde