sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Depressão é mais comum em quem tem acne

As espinhas foram associadas ao transtorno mental em um estudo com mais de 1,8 milhão de pessoas


A espinha, não importa onde apareça, causa impacto na vida das pessoa. Não faça pouco caso das espinhas: o risco de depressão em pessoas que sofrem com acne é consideravelmente maior. Ao analisar uma plataforma eletrônica britânica de dados médicos, uma das maiores do mundo, pesquisadores descobriram que pacientes diagnosticados com acne são 63% mais propensos a ter o transtorno mental no ano em que começam a ter as erupções.

Os cientistas trabalharam com informações de 134 mil homens e mulheres com acne, e 1,7 milhão sem espinhas. E os acompanharam ao longo de 15 anos. Apesar dessa chateação na pele ser mais comuns durante a adolescência, a idade dos participantes variou dos 7 aos 50 anos.
Durante os 15 anos de pesquisa, 18,5% do total dos participantes que sofriam com o problema dermatológico desenvolveram depressão – entre os que não tinham espinhas foram só 12%. Os investigadores notaram que o auge do risco de depressão aconteceu no primeiro ano de diagnóstico de acne (63%). Depois de cinco anos, a propensão à depressão de pessoas com ou sem espinhas se equiparou.
Uma pesquisa prévia realizada pela British Skin Foundation com 2 mil pessoas com acne ajuda a esclarecer os altos índices de depressão. Mais da metade dos participantes já foi insultado por alguém próximo por causa do aspecto da pele, um em cada cinco já levou um pé na bunda por isso e mais de 10% diz ter perdido o emprego.
“Este estudo destaca uma ligação importante entre a doença da pele e a doença mental. Para os pacientes, a acne é mais do que um incômodo na pele e pode desencadear preocupações significativas”, disse a autora do estudo, Isabelle Vallerand, da Universidade de Calgary, na divulgação da pesquisa.
A depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo (4,4% da população global). De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a doença é a principal causa de incapacitação no planeta e o número de casos da patologia aumentou 18% entre 2005 e 2015. No Brasil, o números também não são otimistas: somos o país com maior prevalência de depressão na América Latina – 11,5 milhões de brasileiros sofrem com o transtorno. 
 
Fonte: Revista superimteressante

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Remédios para outras doenças podem tratar a febre amarela

Pesquisadores brasileiros descobrem que alguns compostos disponíveis comercialmente serviriam de tratamento contra essa infecção

Remédio para febre amarela
Podemos estar mais perto do que imaginamos de um remédio contra a febre amarela. Em vez de tentar desenvolver um tratamento do zero, pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo, do Instituto Butantan (SP) e da Fundação Oswaldo Cruz (RJ), estudaram substâncias já disponíveis comercialmente – e encontraram opções promissoras para debelar essa doença.

Esse tipo de pesquisa funciona assim: a partir de uma espécie de biblioteca de compostos químicos desenvolvidos previamente, os cientistas testam um a um em laboratório para determinar quais teriam maior eficácia contra determinada doença. No caso da febre amarela, os experts brasileiros avaliaram 1 280 moléculas.

Para fazer isso, recorreram a aparelhos de última geração que analisam rapidamente como cada uma dessas partículas reage diante de células humanas infectadas com o vírus. Daquele total de 1 280 princípios ativos, eles chegaram a 88 que inibiam a infecção em pelo menos 50%.

Mas isso não foi suficiente. “Fizemos ensaios confirmatórios para a potência da atividade antiviral e da atividade contra a célula hospedeira”, explica o imunologista Lucio Freitas-Junior, coordenador do trabalho.

Traduzindo, os pesquisadores verificaram se tais moléculas seriam poderosas contra a febre amarela ao mesmo tempo que preservariam a célula humana. Ora, de pouco adianta encontrar uma arma que mata o inimigo se ela extermina você também, não é mesmo?
“No fim, selecionamos os compostos que eram ao menos dez vezes mais potentes contra o vírus em relação às células”, diz Freitas-Junior. De todo esse trabalho, sobraram cinco moléculas com bom potencial de serem usadas como antiviral contra a febre amarela. E um bônus: duas delas também parecem bloquear a ação do subtipo 2 da dengue.

 

Os próximos passos

Serão necessários mais alguns anos de trabalho para confirmar os achados do laboratório – até por isso os nomes das substâncias não serão divulgados. Em outras palavras, as moléculas selecionadas devem ser aplicadas em seres humanos de carne e osso (e não só em um punhado de células) para verificar se conseguem conter uma infecção de febre amarela, qual a dose necessária e por aí vai.

“De qualquer modo, essa estratégia encurta em muito o tempo de desenvolvimento de um medicamento”, garante Freitas-Junior. É possível que, em três anos, tenhamos opções na farmácia graças a esse esforço brasileiro – pelos métodos tradicionais, passam-se ao menos dez antes que uma nova droga garanta sua eficácia e segurança.

“Esperamos descobrir alternativas de forma rápida para o tratamento de surtos e epidemias, como está sendo o caso de febre amarela agora, como foi com zika no ano anterior e como deve ser o caso de outros problemas que estão por vir, infelizmente”, conclui o expert.

Em comunicado à imprensa, o virologista Paolo Zanotto, do ICB, comemorou a pesquisa de seu companheiro de bancada: “Esse sucesso implica na possibilidade de termos pela primeira vez a capacidade de interferir no processo infeccioso da febre amarela e salvar vidas”. Estamos na torcida!
Fonte: Revista saúde